Tia Cris não tem fronteiras
A casa de Luis Chagas e Mônica é um programa à parte em SP. Ele é jornalista cultural, então lá, existem milhares de livros, cds e dvds que ele recebe para fazer a crítica. Tudo você pode encontrar lá.... inclusive índios!
Chegamos ao apartamento e vejo alguns índios adultos na sala e três crianças igualmente silvícolas. Já cansada de tanta coisa estranha na minha vida, resolvi não questionar nada e achar super normal. Falei oi de longe, ninguém me respondeu e eu fui para a cozinha, seguindo o cheiro de café.
Uma vez na cozinha , a Mônica perguntou se eu já tinha conhecido o Tapikué, a Nhénhéqui e os outros, que eram do Alto do Xingu, da tribo Tawa.. Respondi rapidamente que sim, pois meu humor de um domingo chuvoso impedia qualquer interação com culturas diversas.
Como também é comum a parte mico sempre acabar comigo, não fui mais para a sala.Fiquei comendo na cozinha e não perguntei absolutamente nada sobre o que aqueles índios estavam fazendo lá. Mas isso não foi suficiente.
Mônica: “ Kika, faz um favor para mim? Eu estou aqui ajudando na cozinha e as crianças já quebraram as cordas da guitarra do Luis e acho que ele vai me matar. Fui eu que trouxe os índios do Xingu, eles são meus amigos, já fiquei lá com eles! DÁ UMA ADMINISTRADA NA SALA?” (Letras garrafais por minha conta)
Chego na sala e achei que alguém falava o básico de português, afinal não poderia ser possível, né?
Kika : - Oi, Linda, ta tirando o vestido todo?
Nhénhé.. – Todo!
Kika: - Quer brincar de pular?
Nhénhé.. – Pular!
Kika: _ Sei, você não entende o que eu falo e repete?
Nhénhé..- Repete!
Virei para a mãe que estava sentada - ou levemente deitada no sofá - e pedi ajuda para me comunicar. Mas quando eu ia começar a conversar com ela a criança menor sentou em seu colo e, com fome, não se deitou para mamar. Ao invés disso enfiou a mão dentro do vestido e TROUXE o peito até ela. Aquilo me causou arrepio!
Achei que a dor seria muita e ela não conseguiria conversar mais comigo. Mas não desisti.
Na raça e munida do meu otimismo eu acreditava que o “ não” e o “ não pode” fizessem parte das expressões da língua universal. Fiquei de guardiã das guitarras, dos eletrônicos e objetos antigos do Luis. Conclusão: as três crianças se reuniram, todas jogando “os brinquedos” para o alto de forma frenética, rindo e gritando “Não pode! Não pode! Não pode!”. A minha cara de idiota nesse momento é indescritível.
Por fim, acabaram todas as crianças peladas repetindo frases para mim. :
Nhénhé: - Tchukuané (foneticamente escrito)
Kika: - Tchukuanê
Nhénhé: - Tchu ku a né
Kika: - Tchukuané
Nhénhé riu. Estava contente por ter me domesticado.
Chegamos ao apartamento e vejo alguns índios adultos na sala e três crianças igualmente silvícolas. Já cansada de tanta coisa estranha na minha vida, resolvi não questionar nada e achar super normal. Falei oi de longe, ninguém me respondeu e eu fui para a cozinha, seguindo o cheiro de café.
Uma vez na cozinha , a Mônica perguntou se eu já tinha conhecido o Tapikué, a Nhénhéqui e os outros, que eram do Alto do Xingu, da tribo Tawa.. Respondi rapidamente que sim, pois meu humor de um domingo chuvoso impedia qualquer interação com culturas diversas.
Como também é comum a parte mico sempre acabar comigo, não fui mais para a sala.Fiquei comendo na cozinha e não perguntei absolutamente nada sobre o que aqueles índios estavam fazendo lá. Mas isso não foi suficiente.
Mônica: “ Kika, faz um favor para mim? Eu estou aqui ajudando na cozinha e as crianças já quebraram as cordas da guitarra do Luis e acho que ele vai me matar. Fui eu que trouxe os índios do Xingu, eles são meus amigos, já fiquei lá com eles! DÁ UMA ADMINISTRADA NA SALA?” (Letras garrafais por minha conta)
Chego na sala e achei que alguém falava o básico de português, afinal não poderia ser possível, né?
Kika : - Oi, Linda, ta tirando o vestido todo?
Nhénhé.. – Todo!
Kika: - Quer brincar de pular?
Nhénhé.. – Pular!
Kika: _ Sei, você não entende o que eu falo e repete?
Nhénhé..- Repete!
Virei para a mãe que estava sentada - ou levemente deitada no sofá - e pedi ajuda para me comunicar. Mas quando eu ia começar a conversar com ela a criança menor sentou em seu colo e, com fome, não se deitou para mamar. Ao invés disso enfiou a mão dentro do vestido e TROUXE o peito até ela. Aquilo me causou arrepio!
Achei que a dor seria muita e ela não conseguiria conversar mais comigo. Mas não desisti.
Na raça e munida do meu otimismo eu acreditava que o “ não” e o “ não pode” fizessem parte das expressões da língua universal. Fiquei de guardiã das guitarras, dos eletrônicos e objetos antigos do Luis. Conclusão: as três crianças se reuniram, todas jogando “os brinquedos” para o alto de forma frenética, rindo e gritando “Não pode! Não pode! Não pode!”. A minha cara de idiota nesse momento é indescritível.
Por fim, acabaram todas as crianças peladas repetindo frases para mim. :
Nhénhé: - Tchukuané (foneticamente escrito)
Kika: - Tchukuanê
Nhénhé: - Tchu ku a né
Kika: - Tchukuané
Nhénhé riu. Estava contente por ter me domesticado.

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