domingo, dezembro 31, 2006

Último desejo

Os dois estavam bebendo com amigos, mentira, com outras pessoas que nem se importavam. Também , não se conheciam direito, mas se queriam. Isso era certeza. Falaram coisas que pouco importavam, riam de situações que nunca ligariam, pediram cervejas que nem tinham condições de beber, tudo para disfarçar aquela vontade de um pelo outro.

Mas Deus, se não se conheciam, como iam demonstrar o desejo de estar grudados! Conversavam mais, perguntavam mais, destrinchavam histórias curtas para se tornarem interessantes, falavam das outras pessoas da mesa e ás vezes, às vezes, paravam para se olhar. Droga, eram poucas pessoas na mesa, só mais duas além do casal, que casal? Bom, eram muitas pessoas na mesa , duas além dos desejantes, que estragavam a sinceridade do corpo de ambos.

Uma das pessoas que pouco importava e contava histórias que ninguém lembrará amanhã, convidou a todos para ia a casa dela, o que possibilitou alongar a noite!!! Que alívio, eles não poderiam guardar tudo aquilo para eles , em separados. Era uma chance.

Na casa, a agonia continuou, mais bebida, mais conversa, mas vontade! Então ele passou a dizer coisas sobre o trabalho, mas parava na metade para olhar a boca dela. Tentava continuar, mas parava e dizia:
- Olha, que boca é essa?

Todos mudavam de assunto e a mulher saía soberana pensando em sua boca, rindo da bebedeira dele. Mas pensando em usar muito sua boca para ele. Voltava para a cozinha onde estavam todos e fingia que estava apenas com solidariedade a bebedeira do rapaz. Deixou que segurasse sua perna, enquanto falava e ria. Apesar de por dentro, estar implorando para que apertasse a perna com vontade, na coxa. Ria olhando para os outros, como se dissesse:

- Está muito bêbado, não? Deixa que não tem perigo.

Uma das mulheres que estavam lá, se encheu de ceninha deles e os expulsou para a sala. Ele não estava se segurando em pé e ela pouco se importava, o queria e pronto!

Na sala em pé se beijaram, ele tentava se equilibrar e ela o beijava, da forma que havia imaginado no bar. Deitaram no sofá e se beijaram, se agarram do jeito que estavam com vontade! Trançaram as pernas, se apertaram, beijaram novamente.. Até que ele bêbado, começou a tirar a roupa, esquecendo que estava na sala de outra pessoa e que havia outras pessoas na cozinha ao lado da sala.

A moça desejada e desejante pediu por favor para se vestir e mandou ele se tocar. Ele se recompôs, mas logo depois disse em alto e bom tom:

- Eu quero te chupar toda!

Ela o mandou calar a boca e se vestir, pois sairiam de lá naquela hora. Claro que a desculpa foi por conta da vergonha que estava passando em relação às outras pessoas, mas era para que ele pudesse chupá-la toda mesmo!

Saíram sem falar com ninguém, e quando se depararam com as escadas, se olharam, parecia uma missão difícil. Ele é alto, poderia cair! Melhor não pensar nisso agora, se agarraram na parede do corredor e se beijaram , se apertando novamente. Depois disso se acalmaram e puderam descer as escadas. Ela ia o segurando, até chegar lá embaixo, enquanto ele alto e bem bonito, balbuciava o que pretendia fazer em seu apartamento.

Conseguiram finalmente descer e não conseguiam sair do prédio, esse tinha a porta trancada, tiveram que esperar na escada. Já estavam achando a brincadeira cansativa.

- Droga, só quero sair daqui! – dizia ela

Ele sentou nos três degraus que levavam ao hall e a puxou com determinação para o seu colo, beijaram e foram se apalpando, ela aperta o braço dele, ele firme a aperta na cintura, passa a mão em sua bunda e a aperta.

Até que chegaram moradores abrindo a porta e mesmo ocupados, se sentiram aliviados , estavam bêbados, cansados e precisavam ficar nus, em alguma hora!

Chegaram finalmente na casa dele, se jogaram no sofá , um ao lado do outro sem acreditar que finalmente estavam sozinhos e poderiam fazer o que bem entendessem. Quando se tocaram disso, começaram a se beijar , a tocar os seios, a tirar a roupa, a beijar novamente, a passar a mão no pênis . A pressa era tanta que estavam com e sem roupa ao mesmo tempo, nenhuma peça tinha sido tirada por inteiro.

A moça depois de tanto corre para lá e para cá , resolveu que um banho seria higiênico para ambos. Até que enfim se despiram e se agarraram nus no banheiro, ele a abraçou por trás e ela se curvou para ser sentida. Não davam tréguas para nenhuma situação.

No banho, ela o esfregou, viu que ele tinha um peito forte, braços fortes, alto e bonito. Ele mais bêbado que ela, a esfregou, a sentiu magra, foi com cuidado, viu que era alta e baixou com o sabonete por toda a sua perna e se ajoelhou para então, chupá-la como tinha prometido. Ela não esperava, e quando percebeu já sentiu sua língua , levantou uma perna e apoiou o pé em seu ombro. Resolveu relaxar e sentir a água, a língua, os movimentos, ele a apertava a perna e cada vez mais sentia prazer. O rapaz tinha um pouco de barba e usou disso para fazer mais atritos leves nos lábios, mexia a língua e ela mais excitada. A sua perna começou a tremer , já não sustentava seu corpo de prazer e pediu para irem para cama.

Na cama, estirados, ele continuou a chupá-la, realmente, era isso que ele queria. Ela sentia tanto prazer na forma que ele fazia que levantava os quadris e gemia, rebolava em sua cara e deixava os olhos fechados. Não queria ver que estava fazendo tudo aquilo, queria apenas sentir tudo aquilo, para ela ainda era constrangedor. Ele ficava cada vez mais empolgado com a reação deliciosa dela, ele levantava para vê-la e voltava com mais vontade.

- Eu quero chupar você para sempre, te quero gozando, me avisa para eu estar aqui quando acontecer?

E então, colocou os dois dedos dentro dela para fazê-la gozar. Ela amou e implorou para ter um corpo junto ao dela, então a penetrou. Perguntava se estava gostoso e ela respondia que estava uma delícia e eles frenéticos não paravam.

- Eu não quero gozar nunca hoje! Vamos ficar assim, a noite inteira!

Ele se virou e ficou aguardando , e ela ficou por cima e se apoiava em seu peito, pulava para cima e para baixo, rebolava e sentia se tinha ido até o fim, sem sentir qualquer dor.

- Deixa eu te comer agora!

Ela saiu rapidamente de cima dele, já estava cansada inclusive e deitou de bruços. Ele se encaixou, subia e descia, o sentia todo e acompanhava o movimento do sexo com seu quadril. Deitou por cima dela, cobrindo-a por inteira e levemente os ritmos se mantiveram. Mas não foi o suficiente para eles.

- Vamos fazer malabares?

Tentaram subir um no outro, levantou-a na parede, derrubaram parte do armário e nenhuma posição fora da cama parecia possível. Foram pedir ajuda aos móveis.

Eles nus, atravessaram a sala e com todas as luzes acesas, ela se deitou na mesa, sobre os livros, abriu as pernas e apoiou os pés nas cadeiras. Ele em pé, penetrou e segurou seu quadril para ter total controle dos movimentos e esses foram rápidos e curtos. Ela sentiu tanto prazer que olhava para ele e dizia:

- Não estou controlando, não estou agüentando...Por favor...Eu estou sentido muito tudo!

A sua feição para ele era de pedir ajuda de tanto prazer e ele a olhava com mais orgulho do prazer que estava proporcionando e continuava rápido em seus movimentos, empinando o peito, sem se importar com o pedido de ajuda. Estava orgulhoso, verdadeiramente orgulhoso, por deixa-lá naquele estado de excitação.

Ela ainda queria dar prazer a ele, e desceu da mesa, ficando de costas e segurando o móvel com as mãos, e continuaram transando. Até que eles em pé, o rapaz ainda dentro dela, a abraçou passando a mão em seus seios e a outra, alcançando o clitóris. Ela gostou tanto, mas não tinha muito movimento para fazer naquela posição e virou o rosto para beijá-lo.

Os rostos se juntaram, as bocas se uniram e um beijo leve se iniciou e vagarosamente se soltaram e viraram um de frente para o outro e se abraçaram. O beijo aconteceu, um lábio tocou o outro, de forma doce de olhos fechados, encostavam um rosto no outro. Abraçados, ela deitou sua cabeça em seu ombro e ele a beijou na testa.

Acabou, foram para cama dormir, afinal encontraram a delicadeza que procuravam a noite inteira.

sábado, dezembro 30, 2006

Meu verdadeiro perfil

Um empresário me telefona e diz que precisa de uma advogada para sua empresa e deseja marcar uma reunião. Informo que trabalho em formato de consultoria que não trabalho dentro da empresa, ele afirmou ser esse o interesse. No dia marcado me travesti de advogada e fui a reunião:

- Bom dia, você é a advogada?
- Bom dia, sou eu mesma. Francisca , prazer.
- Paulo.
(troca de cartões, que parece baralho na mesa)

Conversamos sobre as atividades da empresa, descrevi a forma de consultoria que realizo. Por fim, informei que envio meu orçamento por email, com as atividades que devem ser desenvolvidas, com o meu curriculo anexado.

Podia acabar assim, não? Mas não, eu sou a Kika...

- A Dra. Marta que me indicou você... ( Dra. Marta é minha terapeuta, ele não sabia disso.)
- Sei.. ( me preparando para ir embora)
- Bem que ela me disse que você tem esse jeito de sossegada, tranquila, frágil....
Sorriso amarelo meu , mas simpática.
- Mas ela me disse que apesar dessa sua aparência, você é do mal. ( ele ri) E é isso que quero, uma pessoa firme e não a advogada escandalosa que tenho aqui.

Quiz: O que você faz ao descobrir que sua terapeuta te descreve como uma pessoa do mal?

a) Tem vontade de chorar por descobrir ser do mal.
b) Fica feliz, por finalmente conseguir ser do mal.
c) Cobra mais caro , por ser qualificada do mal?

quinta-feira, dezembro 21, 2006

Reencontro de desconhecidos

Sai com uma bolsa que outrora fui presenteada e parei num café. Enquanto pensava, sentou repentinamente um rapaz na minha mesa e disse:
- Eu conheço essa bolsa.
- É mesmo? Uma pessoa bem parecida com você que me deu.
- Ele é de onde?
- Da minha cabeça, ele nasceu na minha cabeça e foi criado pela minha imaginação... Foi bom por um tempo, esse tipo de criação o fez crescer de maneira diferente.
- E o que aconteceu com ele?
- Morreu. É... morreu. A realidade o matou. Todos têm realidade...em algumas pessoas, ela se apresenta de uma forma mais leve ou até desapercebida. Mas essa se desenvolveu de forma fatal.
- Sei. Engraçado, eu achei que te conhecesse, por isso parei.
- Não, não...você não me conhece.

terça-feira, dezembro 19, 2006

Tia Cris não tem fronteiras

A casa de Luis Chagas e Mônica é um programa à parte em SP. Ele é jornalista cultural, então lá, existem milhares de livros, cds e dvds que ele recebe para fazer a crítica. Tudo você pode encontrar lá.... inclusive índios!

Chegamos ao apartamento e vejo alguns índios adultos na sala e três crianças igualmente silvícolas. Já cansada de tanta coisa estranha na minha vida, resolvi não questionar nada e achar super normal. Falei oi de longe, ninguém me respondeu e eu fui para a cozinha, seguindo o cheiro de café.

Uma vez na cozinha , a Mônica perguntou se eu já tinha conhecido o Tapikué, a Nhénhéqui e os outros, que eram do Alto do Xingu, da tribo Tawa.. Respondi rapidamente que sim, pois meu humor de um domingo chuvoso impedia qualquer interação com culturas diversas.

Como também é comum a parte mico sempre acabar comigo, não fui mais para a sala.Fiquei comendo na cozinha e não perguntei absolutamente nada sobre o que aqueles índios estavam fazendo lá. Mas isso não foi suficiente.

Mônica: “ Kika, faz um favor para mim? Eu estou aqui ajudando na cozinha e as crianças já quebraram as cordas da guitarra do Luis e acho que ele vai me matar. Fui eu que trouxe os índios do Xingu, eles são meus amigos, já fiquei lá com eles! DÁ UMA ADMINISTRADA NA SALA?” (Letras garrafais por minha conta)

Chego na sala e achei que alguém falava o básico de português, afinal não poderia ser possível, né?

Kika : - Oi, Linda, ta tirando o vestido todo?
Nhénhé.. – Todo!
Kika: - Quer brincar de pular?
Nhénhé.. – Pular!
Kika: _ Sei, você não entende o que eu falo e repete?
Nhénhé..- Repete!



Virei para a mãe que estava sentada - ou levemente deitada no sofá - e pedi ajuda para me comunicar. Mas quando eu ia começar a conversar com ela a criança menor sentou em seu colo e, com fome, não se deitou para mamar. Ao invés disso enfiou a mão dentro do vestido e TROUXE o peito até ela. Aquilo me causou arrepio!

Achei que a dor seria muita e ela não conseguiria conversar mais comigo. Mas não desisti.

Na raça e munida do meu otimismo eu acreditava que o “ não” e o “ não pode” fizessem parte das expressões da língua universal. Fiquei de guardiã das guitarras, dos eletrônicos e objetos antigos do Luis. Conclusão: as três crianças se reuniram, todas jogando “os brinquedos” para o alto de forma frenética, rindo e gritando “Não pode! Não pode! Não pode!”. A minha cara de idiota nesse momento é indescritível.

Por fim, acabaram todas as crianças peladas repetindo frases para mim. :
Nhénhé: - Tchukuané (foneticamente escrito)
Kika: - Tchukuanê
Nhénhé: - Tchu ku a né
Kika: - Tchukuané


Nhénhé riu. Estava contente por ter me domesticado.

Drops

Fila na votação do referendo sobre o desarmamento.

Uma fila inteira para o Sr. olhar, mas ele me mira, e com “sangue nos óio” , morto de raiva, diz: “Saco, não quero voltar mais até aqui! Eu mato um , se tiver segundo turno!”